LEI DO MELAÇO (1733)

Três meninos comendo melaço de um barril.



Implementada durante o reinado de George II, essa lei estabelece uma taxa de 6 pence para a Coroa inglesa por galão de melaço se colonos ingleses comprarem-no de colônias não-inglesas. O objetivo desta lei é inibir o comércio deste produto com os territórios nas Antilhas que não estavam sob domínio da Inglaterra. 

George II e George III: durante seus reinados nasceu mais tensão entre as 
    Treze Colônias e Inglaterra por causa das leis que implementaram.



Gerando mais tensão, o Parlamento aumenta a carga de tributos de suas Treze Colônias. Por terem tido altos gastos com a guerra e por estarem distantes de seus domínios na América do Norte, os parlamentares ingleses visam com essas reformas tributárias efetivar om eficácia seu controle metropolitano em seus territórios ultramarinos (incluindo, principalmente, as Treze Colônias) estreitando seu comércio somente à Inglaterra ou aos domínios da Coroa. Além de assegurar mais capital, as novas leis limitam a produção de manufaturados na colônia e dão prioridade para o mercado consumidor dos manufaturados ingleses. A seguir, veremos as principais leis implementadas.


As assembleias: Aqui eram definidas coisas como taxas e leis. 
Tudo isso sem participação de Londres.


Estamos na segunda metade do século XVIII. As Treze Colônias têm um grau absurdamente alto de autonomia, tanto entre si quanto em relação à Metrópole inglesa. Pode-se dizer que são colônia somente por formalidade, pois que as leis são votadas internamente nas assembleias e congressos, sem interferência da Coroa, e mesmo as leis vindas dela podem ser vetadas! Os impostos também são definidos por reuniões de representantes eleitos pelos homens livres. 
A Inglaterra, percebendo tudo isso, faz crescer seu interesse pelas suas Treze Colônias. Notando que essas colônias têm um forte mercado consumidor e são fonte de matéria-prima, os ingleses querem reforçar os laços colonias. A Guerra dos Sete Anos (1756-1763), que teve como desfecho o Tratado de Paris de 1763, assinado pelo Reino Unido, França, Portugal e Espanha, gera grandes trocas territoriais territoriais, entre elas, a ocupação britânica do Canadá e de parte da Louisiana, anteriormente territórios franceses, sendo que a parte da Louisiana ocupada pelos britânicos (a outra é ocupada pela Coroa Espanhola) faz fronteira diretamente com as Treze Colônias, gerando mais interesse e condições por parte dos ingleses de estabelecer domínio efetivo sobre seus territórios e de satisfazer seu desejo em adquirir a manutenção das populações nativas lá instaladas, de modo que as companhias britânicas possam comercializar as peles e a gordura produzidas por essas comunidades.

Súbita  aproximação: em  rosa  os  territórios  britânicos,   
em destaque azul as terras pertencentes às Treze Colônias 
e em amarelo os territórios da Espanha, juntamente com a 
Louisiana Espanhola. 






 Dia de Ação de Graças: o primeiro contato amistoso entre colonos e ingleses.

Vamos falar um pouco da convivência social nas Treze Colônias e como funciona sua administração e sua economia. Elas são territorialmente divididas em: 

- Colônias do norte: Massachusetts, New Hampshire, Rhode Island e Connecticut.
- Colônias centrais: New York*, Pennsylvania, New Jersey e Delaware.
- Colônias do sul: Maryland, Virginia, North Caroline, South Caroline e Georgia.

                          COLÔNIAS DO NORTE E DO CENTRO                                                      
As colônias do norte e do centro são colonizadas de um modo diferente das do sul. Como o clima e o solo do norte não são propícios para a agricultura extensiva que é praticada no sul e a pouca interferência da Metrópole em como a população nortista deve proceder favorece a liberdade para que os colonos optem pelo que acham mais adequado ao local e aos seus interesses. O mais comum no norte e no centro é a predominância da caça, pesca e exploração de madeiras, que são utilizadas em embarcações ou comercializadas diretamente às outras partes da América inglesa. A caça e a pesca rendem gorduras e carnes para o mercado interno e peles para o mercado externo. 

O norte e o centro dividem-se, em sua maioria, nas propriedades policultoras que servem para o sustento das famílias que fazem suas culturas privadas, ou seja, para sua subsistência. O plantio é, maioritariamente, de frutas e grãos trazidos da Europa, tais como: maçã, pêssego, trigo e cevada. Alguns alimentos de origem americana são incorporados à dieta das famílias puritanas. A pecuária consiste na criação de gado bovino e ovelhas. O que excede da produção rural é escoado para o ambiente urbano. Por exemplo, se uma propriedade rural tem excedentes de lã, essa mesma é enviada para as cidades para ser manufaturada pela mão de obra de cidadãos livres, assalariados e com conhecimento do processo produtivo. Outra importante fonte econômica para as Treze Colônias é o chamado comércio triangular. Consiste na aquisição de açúcar, melaço e rum em colônias do Caribe e na troca desses produtos por escravos na África. Esses escravos são trazidos para a América e são vendidos, ou às colônias caribenhas ou para o sul das Treze Colônias, formando um comércio América-Caribe-África.

COLÔNIAS DO SUL

Mesmo que as iniciativas de colonização não sejam governamentais mas particulares, as Treze Colônias devem contribuir com algum tributo para a Inglaterra. Esse papel é das colônias do sul, onde a economia é essencialmente agrária e exportadora. As cidades são um tanto desvalorizadas. As manufaturas e o comércio local são pouco expressivos. A base produtiva é monocultora e prevalece o sistema denominado plantation, peça fundamental do mercantilismo. Em 1619, se iniciara o processo de tráfico de escravos para a região. Isso abastece as fazendas e garante o aumento dos lucros dos proprietários. Embora esse tráfico seja realizado pelas colônias do norte e centro, dispondo para o sul esses escravos, há pouco contato econômico entre norte e centro e sul, em virtude de que o sul tem seu mercado voltado para a Europa e é organizado, sobretudo, por companhias comerciais inglesas, ao contrário do norte e centro. 

SOCIEDADE SULISTA

A estrutura é rígida e hierarquizada. Os proprietários rurais, nas colonias brasileiras chamados de senhores de engenho, tem poder político e definem as regras de sociabilidade. Entre essas regras estão os valores de origem católica trazidos do mundo europeu e a supremacia branca, estabelecida em virtude dos detentores do poder e da hegemonia política serem os próprios homens brancos, facilitando sua sobreposição sobre outros povos não brancos-europeus. Isso explica o racismo declarado que se enraiza no sul, a persistência do escravismo e as fortes restrições às ações do negro na sociedade sulista.

SOCIEDADE NORTISTA E CENTRISTA

A sociedade nas colônias do norte e do centro são mais amistosas, tanto entre si quanto com outros povos da região, pelo menos num primeiro momento, embora bancarem o tráfico de escravos africanos. Isso pode ser observado num momento muito importante da história estadunidense, o Dia de Ação de Graças (Thanksginving Day). É realizado pela primeira vez em 1621, em Plymouth. Após sucessivas péssimas colheitas e um inverno rigoroso, os colonos têm uma boa colheita de milho no verão do mesmo ano. O governador da vila, em homenagem a esse grande acontecimento, ordena um grande banquete ao ar livre, do qual participam ingleses e cerca de 90 nativos-americanos. É o primeiro contato amistoso entre esses dois povos, e, num primeiro momento, revela uma grande tolerância por parte das colônias do norte e do centro, em oposição ao caráter segregacionista, latifundiário e escravista das colônias do sul.

*A Colônia de New York foi originalmente território holandês, nomeada inicialmente de Nova Amsterdã (Nieuw Amsterdam). Somente em 1664 a ocupação holandesa passa para o domínio inglês.
Mayflower



Em 1620, os puritanos estão prontos para partir para o Novo Mundo. O plano era partir do porto de Southamptom, Inglaterra, para a América em dois navios, o Mayflower e o Speedwell, mas, devido a uma série de problemas em ambos, eles se veem obrigados a regressar duas vezes, pouco depois de zarpar, para repará-los. Logo em seguida, surgem problemas de vedação no casco do Speedwell que impedem definitivamente sua partida. Por causa disso, 20 passageiros desistem da viagem, reunindo, assim, todos o restante no Mayflower. Numa terceira tentativa, saem de Plymouth em 6 de Setembro de 1620 e, finalmente, em 11 de novembro de 1620, o Mayflower chega ao Cabo Cod, no que hoje é o estado de Massachusetts.




Os Pais Peregrinos desembarcam no Cabo Cod, Massachusetts.

Já é 11 de Novembro de 1620 e finalmente os puritanos ingleses, perseguidos em sua nação, chegam à um novo continente, com novas oportunidades e com liberdade para construírem uma nova sociedade com base em seus valores. O Mayflower aporta no Cabo Cod e seus 102 passageiros desembarcam no Novo Mundo. Para terem condições iniciais de habitação, eles desmontam grande parte do seu navio. Chamados de Pais Peregrinos (Pilgrim Fathers), fundam Plymouth, que virá a se tornar, futuramente, a Colônia de Massachusetts. Ao longo do tempo, surgem naturalmente vários núcleos de habitação inglesa ao longo do zona litorânea atlântica que é tomada pelos colonos como sua nova casa, até que, em meados do século XVIII, sejam formalmente definidos os territórios conhecidos como as Treze Colônias Inglesas. Os Pais Peregrinos têm a ideia de que agem em nome de Deus e fazem uso dessa justificativa para todos os seus atos, sejam puramente religiosos, bélicos ou econômicos, visto que o próprio Puritanismo, especificamente no ponto econômico, defende que gerar riquezas demonstra a capacidade de administrar, correta e eficazmente, os bens de Deus na Terra, associando, muitas vezes, seus interesses comerciais aos seus interesses religiosos.

Jaime I
                                                                                                                                                              

O clima na Inglaterra está acirrado. A perseguição dos puritanos ingleses pelos anglicanos já ocorre desde os primeiros tempos da Reforma Protestante. A discordância não é somente religiosa, mas também política e econômica. Os puritanos são rigorosos quanto à rotina cotidiana de seus fiéis, e querem substituir os valores anglicanos pelos seus no Estado inglês, mas não conseguem devido às estruturas que o anglicanismo  já oferece à nação inglesa. As estruturas sociais anglicanas permanecem as mesmas e a perseguição perdura. Sentindo-se rejeitados por uma Europa que na sua visão é decadente, os puritanos optam pela fuga para a América. Todavia, nem todos os interessados por sair da Inglaterra têm condições para bancar a viagem. A própria Coroa não tem recursos para promover a travessia do Atlântico, então, o rei Jaime I, em 1606, permite que dois grupos de mercadores, de Plymouth e de Londres, criem companhias de comércio particulares que organizem a colonização do continente americano e explorem a direção do tráfego até lá.